Santa Cruz!!!

Chegamos em Santa Cruz de la Sierra por volta das 10 da manha. nos lavamos e compramos as passagens para o sucre numa loja chamada trans emperador por noventa pesos, aí , como sempre, fomos passados para tras. o cara que nos cobrou 90 pesos anotou no rccibo da nossa passaegm 60 pesos, ou seja, a passagem custava 60 e 30 foram pro bolso dele heehehe, tudo bem, ja estavamos meio que acostumados, mas resolvemos armar um esquema para a proxima passagem que iriamos comprar: pediriamos a uma crian´ca boliviana para perguntar o pre´co da passagem por um peso, estariamos logo atras dela, assim, qd o cara falasse o pre´co de verdade, nos aproxiamariamos e comprariamos as nossas! hahahaha
Saímos da rodoviaria e pegamos um taxi para o centro da cidade.
Santra cruz é a regiao mais rica da bolivia, tao rica que inclusive tentou se tornar independente do resto da bolivia com a alega´cao de “sustentar” o pais, nos moldes da nossa revolu´cao farroupilha. Santa cruz esta a 400 m de altitude apenas portanto nao sentimos o soretcho que é os efeitos da altura.
é uma cidade que me lembrou muito de sao paulo, é muito movimentada e bonita, mas o fato é que, uma vez no centro, fomos para o hostel BIBOSI onde o bilocks e o head (que viajavam com a elisangela) estavam hospedados.

chegamos no hostel, encontramos os meninos, tomamos banho e fomos almo´car na pra´ca. A pra´ca era maravilhosa, tinha uma catedral da epoca colonial, algumas estatuas de herois bolivianos e varios variso shoppings. entramos em um que tinha um restaurante no terra´co para comer, comemos macarrao vegetariano e carne de carneiro ao molho madeira com arroz e bolinho de peixe. Tambèm tomamos refrigerantes.

feito o almo´co e apos tirarmos algumas fotos na pra´ca, o robert, a rita, eu e a marina iriamos para a rodoviaria para ir ao sucre enquanto os meninos , que viajavam com a elisangela, iriam para la paz mais a noite. O problema é que ficamos sabendo via jornal que havia acontecido um acidente terrivel na estrada para la paz, um caminhao se chocou com um onibus que caiu do penhasco matando 33 pessoas e ferindo outras, dessa forma , a estrada para la paz estaria bloqueada e os meninos teriam que esperar em santa cruz alguns dias para conseguir dar continuidade a viagem.
o macabro foi que a elisangela havia ido para la paz um dia antes e ate termos a lista dos mortos ficamos preocupados com a possibilidade de ter sido o onibus dela o que caiu do penhasco, mas acabou que nao era e ficamos todos tranquilos.

como os meninos iriam viajar conosco fomos ate a rodoviaria para comprar passagens para eles no mesmo onibus, o problema foi que so havia restado um lugar e eles eram dois, entao conseguimos comprar a cadeira que fica ao lado do motorista.
enquanto esperavamos a hora da viagem conversamos com algumas pessoas e tiramos fotos com uma crian´ca gordinha boliviana! hahaha ela era muito engra´cada tadinha, ela devia ter ums 7 anos e ela tinah dificuldade ate para andar, depois vou postar a foto dela aqui! :D

Entramos no onibus e sentamos. Logo depois, uma boliviana chegou e disse que estavamos no lugar dela e que isso era inadmissivel, mas eu tinha certeza de que aquele era meu lugar entao minha irma se levantou para chamar o boleteiro e a boliviana, malandra como todos eles, sentou no lugar dela, dizendo que achou bom que ela tivesse saído.
Ficamos um pouco bravos, mas logo o boleteiro chegou e provou que a boliviana estava errada. Meu deus, como a cara que ela fez me divertiu hahahahaha, tipo o lance era so ter tido um pouco de educa´cao, nao precisava chegar tao grossa e tals mas acabamos que sentamos e saímos rumo ao sucre…

No onibus tinha um pessoal de minas gerais, um pessoal do sul, agente, e o resto de bolivianos, a maior parte da viagem foi tranquila, estavamos sentados e o bilocks ficava em pé , ja que ele nao quis ir com o motorista que, convenhamos aprecia um tanto quanto psycho…
conversamos, brincamos, lanchamos e entao come´camos a subir as montanhas, ja que sucre fica a 2.800 m de altura se nao me engano…

Eu queria só poder descrever pra voces a beleza dessa subida… era uma estrada andina, viamos parte das montanhas feitas de escudos cristalinos, havia também um rio, o onibus se aproximava tanto do penhasco que achavamos que uma hora ou outra, caíriamos morro a baixo…
mas a montanha que era foda, cara, sem descri´cao, quando subimos ainda estavamos no por do sol entao o sol iluminava as montanhas e iluminava o rio, logo depois saimos desse trecho e fomos dar direto de frente com um vale… um vale no melhor estilo europeu, rio, pastagens verdes, eu brinquei que so faltava a cervejaria `para que eu pudesse morar ali hahahah

bem, esse onibus ainda tem muita historia, mas agora preciso ir para o famoso salar de uyuni, estou atrasado nos posts, mas prmeto colocar tudo em dia, continuo o onibus mais tarde!

até lá , viajantes!

:]

mae, estou com saudades

pronto, precisava postar isso

amanha vou para potosi e depois uyuni

De frente com a realidade… 2

Continuando com o trem da morte e suas aventuras…

Numa outra parada, la pela madrugada, nao sei que horas eram, jà estavamos todos dormindo e fomos acordados pelos vendedores.

Sinceramente é no minimo impressionante a quantidade de criancas , adolescentes e velhas que sobem nos vagoes para vender espetinhos, paes de queijo, pasteis, sodas, coca colas, aguas, bolos e jantares (majaritos).

A quantidade é tao absurda que quando tentei fechar os olhos novamente, me concentrei so no barulho das vendedoras e pude me sentir como se estivesse em meio a uma multidao.

O fato é o seguinte, todos os vendedores ja tinham descido do trem e uma ultima garota, de uns 15, 16 anos, no màximo estava saindo do meu vagao, pelo banheiro, para descer.

No entanto, quando ela foi descer, dois rapazes de ums 19 , 20 anos, bolivianos, indios, pobres, fecharam o caminho para saìda e disseram que só a deixariam passar se ela lhes desse um beijo.

Eu achei que fosse brincadeira mas ela pediu licenca umas dez vezes e eles nao deixaram-na passar. O problema è que o trem tinha come´cado a andar e ela morava naquele vilarejo onde o trem havia parado, e ela nao conseguia descer daí um dos rapazes tentou agarrá-la a forca que foi quando eu levantei mas fui segurado pela senhora gorda que disse que nao havia nada que eu, magrelo, pudesse fazer.

Eu tive que assistir a mais alguns segundos daquela cena horrìvel até que a menina atirou as guloseimas que vendia na cara do rapaz que distraído abriu a guarda, e entao a garota disparou a correr chorando e xingando o garoto de tudo qualquer nome…

Bem, depois dessa  tentei dormir, amarrei minha mochila no meu braco com uma corda e com outra amarrei minha mochila no trem, depois disso lutei bravamente contra o assento pequeno e o cheiro do UNICO banheiro do trem para conseguir achar uma posicao suportavel com minha batata , canela e pè para fora da janela do trem e o resto do corpo no assento. Hahaha

Viajei assim um tempo depois dormi sentado e acordei no chao.

A parte em que eu acordo foi a ultima parte do trem da morte mas nao deixou de ser uma aventura.

Quando acordei, havia tres bolivianos, dos mais mal-encarados possiveis, olhando para minha mochila, para minha corda e para mim.

Acordei me coloquei sentado e passei a abra´car minha mochila

O fato é que eles come´caram a falar em espanhol, sobre assaltar turistas, e como um amigo deles tinha ganhado dinheiro, porem tinha sido preso, por assaltar turistas como eu.

O fato è que nao é preciso ser muito habilidoso com o espanhol para entender e daí voces podem imaginar minha cara de assustado

Ja nao havia testemunhado coisa o suficiente para uma viagem só.

O problema e que eu estava sentado no assento e no braco da cadeira á minha esquerda, estava o rapaz mal-encarado de forma que se ele nao levantasse do braco da cadeira eu nao poderia levantar , sair ou ter qualquer rea´cao de defesa. Nessa hora eu devo confessar que eu pensei que havia rodado mais que a tartaruguinha do mario kart.

Entao relaxei no meu estofado e esperei…

Depois de alguns minutos entraram dois pastores , que come´caram a pregar o evangelio e depois tentaram vender ums tercos. Nao conseguindo, eles arrumaram uma garrafa com umas lombrigas, sim, lombrigas no cloroformio, sim os nematelmintos do vestibular, sei là platelmintos…

E tentaram vender uma especie de vernifero, a diferenca foi que o vernifero eles venderam todos…

Depois disso o trem havia chegado a santa cruz de la sierra e eu estava esperando meu destino cruel. Sem como avisar o pessoal , que estava na classe pullman, sem brasileiros no meu vagao eu so aguardei o pior.  Mas no ultimo minuto tive a ideia de pedir ajuda com a mochila para dois rapazes um tanto quanto fortes com quem havia feito amizade por causa da historia da garotinha e do cobertor, para que me ajudassem a retirar a mochila.

Eles levantaram e pediram licenca ao cara mal-encarado que depois de me olhar durante ums 20 segundos, saiu e os rapazes percebendo a roubada me escoltaram até fora do vagao onde encontrei os meninos , rita, robert e marina

Estressadissimo por causa dos momentos de tensao e desesperado para sair da rodoviaria, compramos nossas passagens no onibus das 3 da tarde (eram 10 da manha) para o sucre e pegamos um taxi para o centro de santa cruz….

Mas isso fica pra proxima!

Até lá, viajantes!

De frente com a realidade

Nossa, nem sei por onde come´car mas vamos là. No nosso ultimo post o bilocks que viajaria com o head, elisangela, namorado dela e amigos comprou passagens de trem o suficiente para eu , robert, marina e rita. Dessa forma tivemos que passar o dia no albergue, foi tranquilo, o problema è que como ja dito anteriormente a cidade (puerto Quijarro) è uma cidade muito desprivilegiada quando se trata de servi´cos basicos e outros tipos de servi´cos. Entao, bem que tentamos dar uma volta pela cidade procurar algo para fazer mas nao houve como mesmo. Tud o que encontramos foi esgoto a cèu aberto, pobreza e… problemas. Ainda que quando eu postar as fotos do albergue voces possam me dizer “a cara como assim, esse albergue era perfeito olha o tamanho da piscina e olha esse sol!” eu devo ressaltar que a piscina nao tinha sua agua trocada porque nao existia esgoto e gente do mundo inteiro se aventurava por ela. E tambèm o sol, ah o sol, ele era o principal problema porque puerto quijarro registrava temperaturas que se aproximavam dos 40 graus e era insuportavel, tomavamos de 3 a 4 duchas frias por dia e nao adiantava nada, sem contar os mosquitos e os espanhois e estrangeiros antipaticos. Hahahha De fato, o tao sonhado dia de deixar puerto quijarro chegou e fomos eu, marina, rita e robert para a esta´cao da ferrovia oriental para transferirmos os títulos das passagens dos nomes dos meninos para os nossos nomes. Tudo parecia correr perfeitamente quando o atendente da ferrovia nos informou que uma das passagens era datada do dia anterior. Sim, o bilocks havia embarcado com a passagem do dia 6 no dia 5 e havia nos dado a passagem do dia 5 para o dia 6. Só deus sabe como ficamos com raiva, sem mim nao poderiamos continuar viagem e ficar em puerto quijarro era uma op´cao inconcebivel. O fato foi que primeiramente olhei uma passagem de onibus por 90 pesos bolivianos e uma viagem de 12 horas sem banheiro. Depois, fui a esta´cao da ferrovia oriental para tentar comprar uma passagem de algum cambista ou algo assim. Para a minha sorte, conversando com o bagageiro da ferrovia ele me disse que “arrumaria” um esquema por 50 pesos bolivianos mais o dinheiro da passagem que custaria 120 pesos bolivianos na classe pullman (poltrona reclinavel e separada) O fato foi que nao tendo outra op´cao eu aceitei o esquema do boliviano que depois me contou que era da “mafia” do trem e que eu nao precisava me preocupar com nada. o fato foi que para embarcar, eu paguei ao boliviano os 50 pesos, o pre´co da passagem e ele me deixou plantado por uma hora e pouco ao lado de um policial boliviano que , detalhe, tinha TODOS os dentes de ouro, hahahah Conseguir embarcar eu consegui, o policial me conduziu, depois de todo mundo embarcar (por isso eu fiquei esperando) para o vagao da classe primeira (que è a pior classe, nao tem bancos separados, reclinaveis e nenhuma higiene.) Eu argumentei dizendo que tinha pago pela classe pullman e ele me olhou sorrindo com todos aqueles dentes de ouro dizendo “voce quer ou nao quer sair daqui?” Eu fiquei mudo e sentei em um lugar que era basicamente uma almofada de couro, no entanto a minha ficava atras do banheiro e por isso a minha almofada era menor do que as outras de comprimento e de distancia do meu assento apra o da frente. Dessa forma coloquei minha mochila no chao, á minha esquerda, e sentei ao lado dela a direita espremendo minhas pernas no assento e aguentando um calor miseravel de quarenta graus. O trem come´cou a andar o que me fez perceber que sua velocidade maxima era 50 km por hora e que viajariamos 600 km, e mais, ele parava de dez em dez minutos para embarcar mais gente e conforme eu ja havia previsto o vagao da classe primeira ficou mais lotado que uma feira no marrocos. Sem conota´coes preconceituosas, quem embarcou na classe primeira era o povao mesmo, e pelo menos eu vi nesta uma possibilidade de trocar cultura e conhecer a realidade da massa boliviana, mal sabia eu o que me aguardava…. Depois de algumas horas viajando, um rapaz, militar, chegou ao meu lado dizendo que eu estava sentado no assento dele, e de fato estava, mas isso porque a minha mochila estava no chao no assento que “corresponderia” á janela, simplesmente pelo fato dela nao caber no bagageiro, jà lotado pela bagagem do povo boliviano. Entao sem ter o que fazer eu coloquei minha mochila de oitenta litros e mais ou menos 20 kg no colo e seguimos viagem eu so nao sabia que seriam 22 horas de viagem. Lá pela quarta, quinta hora, minhas pernas ficaram dormentes e a viagem atingiu seu maximo de insuportabilidade , mas para minha sorte o boliviano que estava ao meu lado desceu em uma esta´cao nao me pergunte aonde porque o trem da morte passa em tudo quer culo del diablo da bolìvia. Hahaha O fato è que eu aliviado, joguei a mochila para o lado e levantei correndo, foi quando de repente, uma senhora gorda, de mais ou menos ums 80 kg, índia , de ums 50 anos, disse que precisava sentar no assento do militar porque os fiscais do trem iriam passar e se ela nao tivesse um outro assento ela teria que pagar pelo assento de sua crian´ca de colo e ela nao tinha mais dinheiro de forma que as duas desceriam no meio do nada. Bem, acontece que ela estava falando a verdade e eu tomei a decisao certa, deixei que ela sentasse no lugar do militar, coloquei minha mochila nas minhas pernas novamente e logo depois os fiscais chegaram. O fato è que o policial, um dos fiscais, o do dente de ouro, tinha ficado com minha identidade, documento que me permitiria embarcar, porem meu unico documento de identificacáo ja que eu nao estava portando um passaporte. Quando o policial chegou eu disse que precisava da minha identidade e ele disse que me daria sob o pre´co de 50 pesos bolivianos. Aí è que tà, eu devo admitir que o Brasil nao é NADA quando se fala de informalidade comparado á bolivia. Aqui, TUDO, mas simplesmente TUDO è informal, acho que com exce´cao de documenta´cao e alistamento militar o resto tudo é combinado, negociavel nao tem nada padronizado, estabelecido, aqui é a lei da malandragem e todos querem ganhar um pouco em cima do gringo idiota. Sem op´coes , literalmente pois nao podia ficar sem minha identidade, eu paguei o policial e logo que ele foi embora a senhora que estava ao meu lado se levantou e deitou-se no chao com sua crianca de colo. O fato é que no trem , é impossivel conseguir dormir confortavelmente, e a senhora ja velha de guerra e experiente trouxe nao sei quantos cobertores que colocou no chao e deitou sua crian´ca (que se chamava ingrid) junto ao seu corpo gordo suado e picado pelos insetos da amazonia boliviana que entravam facilmente pela janela do trem nas paradas e em cruzeiro, porque sua velocidade nao ultrapassava 50 km por hora. Nessa hora eu devo dizer que senti pena. O problema é que para mim, pelo menos, e isso eu aprendi de cria´cao, a pena é o pior dos sentimentos, isso porque para ela existir a pessoa pela qual voce se compadeceu tem que estar em uma situa´cao tao deploravel que, honestamente, voce quereria que ela nem estivesse. O fato é que a crian´ca nao conseguia dormir e eu comecei a conversar com ela, perguntei seu nome, idade, falei para ela do brasil, ensinei-a algumas palavras em portugues, contei-lhe uma historia do boto cor-de-rosa (a unica que eu conhecia) e ofereci a ela a manta que minha mae havia me comprado para situacoes desse tipo. Como o gesto foi aprovado pela mae e pelos demais passageiros, eu comecei a conversar com eles e essa foi a parte boa da viagem. Eu ja estava relativamente confortavel , pelo menos suportavel mas nao havia ninguem para conversar e estava calado a 10 ou 11 horas pelo menos, daí comecamos a conversar e conversamos sobre tudo o que voces podem imaginar, do lula e evo morales até a comida tipica que era oferecida no trem. Depois de conversar tivemos uma parada e eu , que nao havia comido nada desde o embarque, resolvi me aventurar pelo tal do majarito. Uma especie de galinhada, arroz caipira amarelo, frango cozido com tomate e banana caramelada. Falando assim ate que voces podem achar bom, mas a verdade era que foi a coisa mais nojenta que eu ja comi até hoje, juro, mas era o que tinha e eu precisava comer, por causa da minha enxaqueca. Mas nao me arrependo, o fato deu ter sido o unico mochileiro a me aventurar pelo majarito me rendeu fama entre os viajantes e até foi uma boa historia de contar para outras pessoas depois. Bem, depois dessa janta , houve dois episodios muito tristes, o primeiro foi de um bebado que durante a parada (a parada que o trem faz da janta) subiu no trem para conversar. Ele estava totalmente ébrio e era cotoco do bra´co direito. Na verdade ele nao estava fazendo mal algum , inclusive ele estava fazendo todos do meu vagao rirem e estava tudo muito agradavel, no entanto, o policial, sim, o policial do dente de ouro apareceu no meu vagao e sem nenhuma cortesia, sem nenhum pedido, sem nenhuma paciencia segurou o cangote do bebado e o atirou para fora do trem. Literalmente o atirou, pude ouvir o barulho do rapaz caindo no chao. Depois, como o bebado havia xingado o policial por te-lo atirado no chao, o policial desceu do trem e come´cou a espancar o pobre coitado… Nao foi muito tempo, mas foi triste o suficiente para fazer a senhora gorda come´car a chorar. Bem, ainda nao acabaram as historias do trem da morte, mas eu vou continuar em outro post… Até lá, viajantes!

Correndo contra o tempo.

Como planejado, fui ao aeroporto de brasília as 5 e meia com a marina para pegar um voô até goiania e de lá um outro vôo para campo grande.
O problema é que o voo de goiania a campo grande so seria as nove e meia da noite, mas nao nos preocupamos porque inicialmente o onibus da viação andorinha de campo grande até a cidade fronteiriça corumbá saíria apenas as 00h
antes de embarcar para goiania tivemos noticia do robert e da rita que haviam ido um dia antes (de onibus) para campo grande e não eram noticias boas.
Os dois haviam encontrado o head, o bilocks, a elisangela e o namorado dela em puerto Quijarro, cidade fronteiriça, como corumbá, mas do lado boliviano e ficaram sabendo que o famoso trem da morte que tomaríamos era na verdade (acreditem se quiser) controlado por uma espécie de máfia que só vende passagem sob o pagamento de propinas ou esperas milenares.
Dessa forma ficaríamos (eu, rita, robert e marina) sem passagem, porque o head, o bilocks a elisangela e o namorado dela já haviam comprado com 2 dias de antecedencia passagens apenas para amanha dia 6
Mas voltando ao aeroporto, chegamos em goiania 6 e meia da tarde e esperamos até nove e meia o voo até campo grande.
O problema é que o voo atrasou para 22h 50 e a aterrisagem estava prevista para 00h (horario de brasília). O problema é que o onibus para corumbá também partia 00 h, da rodoviária , evidentemente, e chegaríamos no aeroporto 00h.
Como se nao bastasse o proximo onibus só saíria no outro dia 6 e meia da manha o que nos obrigaría ou a dormir no aeroporto ou a dormir na rodoviária que convenhamos é de um nipe um tanto quanto PERIGOSO TRASH VIOLENTO SATANISTA HOMICIDA.
de qualquer forma decidimos por embarcar no voo (lógico) e chegamos conforme o planejado as 00h. Ainda tentamos sair correndo do aeroporto para um taxi e do taxi para a rodoviária mas chegamos lá 00h:20.
tecnicamente havíamos perdido o onibus, mas foi entao que me toquei que em campo grande o fuso é uma hora a menos e ainda havia tempo para comprar as passagens do onibus da meia noite.
O problema é que nao havia mais lugares vagos e todos os assentos haviam sido vendidos.
Inútilmente tentamos conseguir um lugar em pé, no bagageiro, em qualquer lugar para nao corrermos o risco de atrasar nosso roteiro tao minuciosamente calculado.
tentamos inclusive, saber se alguma outra viação fazia aquele trajeto mas descobrimos que só a viação andorinha fazia o percurso por 71 reais inclusive.
já havíamos desistido e quando nos preparávamos para voltar ao aeroporto soubemos que um onibus extra havia sido escalado para aquela noite e conseguimos dois lugares nos assentos 43 e 44.
foi muita sorte, entramos no onibus 00h30 e chegamos em corumbá 7h am
foi uma viagem dificil, mas consegui dormir sem muitas dificuldades, já no caso do robert e da rita (porque eles foram de onibus e nao de aviao) a viagem foi impossível. Isso porque o ar condicionado , que fica acima da poltrona deles, estava quebrado e ao inves de ar frio, saía do onibus , um jato de agua fria, na cabeça dos dois.
e isso nem foi o pior. o pior foi chegar em puerto Quijarro as 7 e meia am , ir direto para a estação de trem , esperar durante duas horas em pé com uma mochila de 80 litros nas costas, e descobrir que a proxima passagem só seria emitida para daqui a dois ou tres dias.
FUDEU! pensei, mas pra nossa sorte, a elisangela e o namorado dela haviam comprado duas passagens extras (nao me perguntem porque, talvez para revender) e foi o que eles fizeram, revenderam para mim e para minha irma e o robert e a rita conseguiram as deles de outra maneira.
a passagem custou 115 bolivianos ou aproximadamente 33 reais.
esse pessoal da fronteira é malandro demaaaais então se vierem algum dia nao paguem NADA em reais, pode parecer pouco para nós pagar 10 reais em um taxi que andou um bocado, mas se fizessemos o cambio e ligassemos o taxímetro pagaríamos beeeeeem menos do que os 10 reais realmente valem.
o fato é que é burrice pagar em reais ou em dolares.
um outro fato interessante foi que na hora de carimbar os passaportes (nao é necessário o passaporte pode viajar so com a identidade), o policial de imigração pediu que mostrássemos 350 dolares ou então pagassemos 20 reais.
como ninguem tem 350 dolares (em dolares já nao trocados) e pronto pra mostrar na alfandega, todo mundo paga os 20 reais que, segundo o fiscal, iria para o governo boliviano, ou seja, é a propina que vai para o bolso deles.
estou escrevendo de um albergue no qual compartilho o quarto com 8 pessoas, pelo menos aqui é um pouco bom, pudemos descansar e refrescar do calor que é INSUPORTAVEL.
hoje, ficamos eu, rita, robert e marina aqui, o albergue chama TAMENGO e é o melhor lugar da cidade que nas palavras do bilocks “se fosse uma favela seria melhor que puerto quijarro”
ele nao diz isso atoa, a cidade nao tem asfalto, saneamento basico, o esgoto é ao ar livre, a economia é em cima de turistas bobos que caem nas pegadinhas dos nativos e é exatamente o oposto da cidade de corumbá do lado brasileiro.
o fato é que o head, bilocks, elisangela e o namorado dela, seguem viagem hoje meio dia, no trem da morte e eu e os meninos vamos só amanha.
por enquanto ficamos no albergue com os estrangeiros, escreverei assim que chegar em santa cruz para contar como é viajar 20 horas no trem da morte!

Diário de Bordo.

Amanhã, dia 4 de janeiro de 2010, eu (Luti), Robert Lee, Valentin, Rita e Marina, iniciaremos uma viagem de aproximadademente um mês. Na qual percorreremos trechos de três países da América do Sul: Bolívia, Chile e Peru.
Tentarei manter por meio deste meu antigo blog um diário de viagem (diário de mochila) com o objetivo de informar os amigos, parentes e curiosos que simplesmente sonham um dia com esse tipo de viagem.
Tudo começará 5:30 da tarde quando pegaremos um avião de Brasília para Campo Grande com previsão de chegada para as 23:00. Do aeroporto de Campo Grande iremos de táxi para sua rodoviária onde deveremos pegar um ônibus que sai às 00:30h que nos levará até a fronteira Brasil/Bolívia.
Chegando na fronteira, atravessaremos a pé a divisa para entrarmos em território boliviano, pela cidade de Porto Quijarro.
Nessa cidade Pegaremos o Famoso Trem da Morte que nos levará até a cidade de Santa Cruz de la Sierra. Uma curiosidade é que o trem da morte tem esse nome não por ser perigoso mas pela quantidade de mortos em sua construção.
Nosso objetivo não é apenas conhecer e ver paisagens , queremos nos inserir ao máximo nas culturas dos respectivos países tornando a viagem não apenas um Sightseeing, mas algo exploratório e aventureiro. 
Queremos conhecer as realidades culturais, políticas e sociais dos três países. Por isso nossa interação com a população tende a ser bem alta. Tentaremos escrever sobre sua história, seus costumes, episódios curiosos e descrição de uma viagem de mochila.
Os que desejam detalhes sobre como empreender uma viagem como essa pode me enviar um email em Luti_hc@hotmail.com me perguntando sobre material, preços, cambio, livros, entre outras coisas úteis para o viajante.
No mais, escreveremos assim que chegarmos em Santa Cruz. Então até lá! 

América

“Sou apenas um homem.
Um homem pequenino à beira de um rio.
Vejo as águas que passam e não as compreendo.
Sei apenas que é noite porque me chamam de casa.
Vi que amanheceu porque os galos cantaram.
Como poderia compreender-te, América?
É muito difícil.
Passo a mão na cabeça que vai embranquecer.
O rosto denuncia certa experiência.
A Mão escreveu tanto, e não sabe contar!
A boca também não sabe falar tuas línguas.
Os olhos sabem – e calam-se
Ai, América, só suspirando.
Suspiro brando, que pelos ares vai se exalando.
Lembro de alguns homens que me acompanhavam e hoje não acompanham.
Inútil chamá-los: o vento, as doenças, o simples tempo
Dispersaram esses velhos amigos em pequenos cemitérios do interior.
Mas por trás de cordilheiras ou dentro do mar.
Eles me ajudariam, América, neste momento
De tímida conversa de amor.
Ah, por que tocar em cordilheiras e oceanos?!
Sou tão pequeno (sou apenas um homem).
E verdadeiramente só conheço minha terra natal,
Dois ou três bois, o caminho da roça (Goiânia)
Alguns versos que li há tempos, alguns rostos que contemplei.
Nada conto do ar e da água, do mineral e da folha
Ignoro profundamente a natureza humana
E acho que não devia falar nessas coisas.
Sou apenas uma rua de uma cidadezinha pequena, que vai dar no mundo, que vai dar na América, que vai dar no coração.
Nessa rua passam meus pais, meus tios, a preta que me criou.
Passa também uma escola – o mapa -, o mundo de todas as cores.
Sei que há países roxos, ilhas brancas, promontórios azuis.
A terra é mais colorida do que redonda, os nomes gravam-se
Em amarelo, em vermelho, em preto, no fundo cinza da infância.
América, muitas vezes viajei nas tuas tintas
Sempre me perdia, não era fácil voltar.
O navio estava na sala
Como rodava!
As cores foram murchando, ficou apenas o tom escuro, no mundo escuro.
Mas a minha rua ainda vai dar em qualquer ponto da Terra.
Nessa rua passam chineses, índios, negros, mexicanos, turcos, uruguaios.
Seus passos urgentes ressoam nas pedras incas, maias, astecas.
Ressoam em mim.
Pisado por todos, como sorrir, pedir que sejam felizes?
Sou apenas uma rua
Na cidadezinha do interior
Humilde caminho da América…
…Portanto, é possível distribuir minha solidão, torná-la meio de conhecimento.
Portanto, solidão é palavra de amor.
Não é mais um crime, um vício, o desencanto das coisas
Ela fixa no tempo a memória
Ou o pressentimento
Ou a ânsia.
De outros homens que a pé, a cavalo, de avião ou barco
Percorrem teus caminhos, América.
Estes homens estão silenciosos mas sorriem por tanta beleza, comtemplados
Sou apenas o sorriso
Na face de um homem calado.”
Carlos Drummond de Andrade – A rosa do povo – PP 150
 
 

Hello world!

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